28 novembro, 2010
22 novembro, 2010
O Artista Baiano e Sua Indigência Cultural
Produzir arte para mim implica em revertir-se, contaminar-se de reflexões que busquem responder através das diversas categorias de conhecimento. Com o mundo globalizado, as noções de cultura engendram outro tipo de relação pautada na complexidade que o mundo nos emite na forma de seus trânsitos multiculturais, na diversidade dos muitos fluxos relacionais a que estamos submetidos. Há no mínimo uma confrontação de significados que paira no ar mesmo se falamos de coordenadas bem específicas como as da Bahia.
Ocorre que a grande e estarrecedora maioria dos artistas estão preocupados com politícas culturais, gestões administrativas, partidarismos aclamados e criticados com base numa forma de pensamento e discursos anacrônicos e construídos sob a égide de um primarismo que chega a me exasperar. A única coisa tangível que se enxerga é uma paixão modelada por uma ignorância que começa no assassinato contínuo da língua, e emissões de um pensamento de tal primarismo que sinto vergonha do que tenho lido. Os artistas baianos estão nus, e são solitários precisamente pela nudez que implica o nível de seus conhecimentos, a forma como tratam cultura e se arvoram a querer mudá-la sem antes fazer um exame lúcido de suas limitações. Ficam pendurados e dependentes no opium do FACEBOOK por suas carências de representatividade, e só conseguem encontrar culpas e imperfeições no outro, ou outros. Há um mundo a ser explorado, uma árdua e dífícil tarefa que passa pelo indispensável exercício de aquisições de saber. Quixotes movidos a intuições perdidas no tempo e nos espaços de sua doentia ignorância eivada pela vaidade insistente que ser artista é apenas produzir imagens inócuas baseadas em seus desejos básicos de existir. A disseminação da idéia de que há culpas em todos os lugares, mas nenhum movimento que caracterize um exame de consciência de como cada um tem operado: a pergunta diante do espelho, que merda sou eu, que merda tenho feito? Que pertinência meus choros e quixumes pode representar como contributo para aquilo que desejo? Nennhum, nenhuma. O artista baiano é uma piada de mau gosto, e aqueles que se elevam acima das generalidades foscas, são acusados de apaniguados, ou mafiosos. Puta que o pariu, vão estudar cambada de ociosos mentais, depois venham fazer política, reinvindicar algo que seja preciso, voces não consomem um parágrafo de história da arte por semana e querem fazer história, jamais farão desta formaa, serão esquecidos ao apagar de cada sessão no Facebook.
20 novembro, 2010
15 novembro, 2010
14 novembro, 2010
23 outubro, 2010
21 outubro, 2010
28 setembro, 2010
27 setembro, 2010
Eu lido com a arte e sua história. Há um campo gravitacional que me atrai a seus múltiplos significados, procuro usá-los não para dá-los novos sentidos, mas para estender minha compreensão dos novos sentidos que temos no mundo atual. Aqui nos defrontamos com um problema que acomete a arte contemporânea e é possível que esteja aí base de sua crise. Aliás, é difícil pensar a arte de hoje sem o componente de crise. Gosto parcialmente de uma idéia de George Steinner, que estabelece a distinção entre criação e invenção. A idéia não é simples, e toma como base a presença da obra de Marcel Duchamp. Mas antes, ele associa a idéia de criação ao divino; com a presença de Duchamp ocorre a dessacralização da arte que passa a ser operada como invenção, distante da historicidade, da magia, do talento, do autoral. O próprio Duchamp chamou a atenção para certos comedimentos que um artista deveria ter ao usar, por exemplo, o recurso do Ready Made. Penso que ele intuía o caos que a própria invenção poderia resultar. O mundo se tornou demasiadamente complexo, e extremamente visual, não sei se ele precisa de novos sentidos, ou como é usual dizer, ressemantizações. Parece paradoxal, sou um artista com a reputação de contemporâneo, no entanto refuto certos métodos que para mim desumanizam a arte, ou a torna vítima de ansiedades dos próprios artistas e todo o staff em que ela é hoje articulada como objeto de consumo. Mas é preciso afirmar que não desprezo nenhum método, minha implicação diz respeito a certa “academização” que a arte contemporânea empunha.
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