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22 fevereiro, 2011

ARTISTAS CRIAM ARTE, E MORREM EM GESTÕES CULTURAIS.

Vauluizo Bezerra
Eu entro nessa discussão para acabar com os equívocos movidos por ingenuidades e mistificações. É preciso lembrar que a condição de ser artistas envolve um PATHOS, uma morfologia psicológica que compõe a grande maioria dos artistas, não que sejamos loucos ou potenciais PSICOS, (ou sim, ou sim, parafraseando Caetano Veloso em negativo). Nossa função no mundo é operar com códigos que nos permitem às pessoas que trabalham noutra ordem cotidiana, abrimos sensos para elas e para nós, estendemos a compreensão sensível do mundo, pelas subjetividades e pela articulação intelectual que cada um possui em níveis diferentes. O sol está para todos, mas o conforto das sombras depende dos modos como operam um conjunto de fatores, seja pela fatoração interna na gestão de sua obra, seja pelo bom senso, seja pelas diferentes acepções éticas que cada um saca de seu bornal de surpresas. Essa novidade de indicar Leonel Mattos como diretor de instituição é primeiro, uma tremenda sacanagem com um homem que é meu amigo, conheço-o muito bem, seria trágico para a vida dele como artista ter que passar quatro anos lidando com processos, administrando coisas que ele não tem particularidades que é gestão, uma coisa é organizar uma série de exposições criticáveis em suas modelações conceituais, outra é pensar e gerir num nível macro. Leonel é um fazedor intuitivo, o que não é um defeito, é uma qualidade enquanto artista, mas se o enviamos ao cadafalso das gestões culturais será um completo desastre. Impossível ver Leonel lidando com linguagens que nada significarão para ele, porque ele reconhece o que se processa na Bahia, e um Museu ou qualquer instituição que venha a ser, exige pelas suas condições de aberturas para a exterioridade que necessita de um jogo de conhecimento que ele não dispõe, exigi-se de um crítico, um curador tal conhecimento que primeiro passa pela consciência do que ocorre no mundo com um aparato de conhecimento “científico”, para isso alguém que deve gerenciar o MAM por exemplo, tem que ser municiado por uma noção teórica da arte, por um saber modelador de fatores que elucidam as conjunções contemporâneas, é algo complexo que nem todo artista dispõe, e os que dispõem sabem dos sacrifícios que sua condição de artista sofrerá. Cito o caso de Zivé Giudice, que dirigiu o MAM por quatro anos e levou vinte anos para recuperar seu status qualitativo, que ocorre agora, somente agora decorrido quase trinta anos. Cito também o caso emblemático de Emanuel Araújo, que se tornou um dos mais eficientes e festejados curadores brasileiros. Pergunto: o que aconteceu com sua obra? Ficou refém de adornos enganosos, uma obra de anos sacrificada pela desarticulação de pensamento à própria obra por conta de seu distanciamento em relação à mesma. Um artista caracterizado pelo que um crítico americano chamou de Geometria Afetiva, eivada de proposições identitária em sua estrutura, visível como obra planejada sob o viço da africanidade pelos auspícios de suas disposições geométricas evocativas do cubismo e das recentes conquistas históricas do concretismo/neo-concretismo, uma fala afro-baiana sofisticada e bem sucedida, se vê hoje pateticamente enfeitadas de conchas em paráfrases estranhíssimas do religioso-artista Mestre Didi, que perdoem os seus construtores, o considero uma tremenda mistificação que serve à nossa ignorância pela arte e o olhar desavisado de estrangeiros duvidosos. Porque não se discute na Bahia a obra de outro sacerdote que articulou soberbamente a arte ocidental e a iconografia afro-baiana como Rubem Valentim? A Bahia deve a Rubem Valentim no mínimo uma festa de largo pelo que soube processar arrematando o saber estruturalista e seu envolvimento de corpo e alma com os símbolos e a religião afro-baiana. Falar ainda de Gestores Artistas é obrigado a citar outras pessoas que me são caro como amigos, e também de formas diferentes sacrificados pelos seus envolvimentos com a política cultural. Juarez Paraíso teve seu gênio potencial tolhido pela política. É certo que ajudou a construir uma mentalidade baiana pelos idos dos 60, 70, mas uma mentalidade que por muitos motivos, inclusive a regência militar, nos jogou numa condição suburbana, sua inclinação xenófoba a teóricos cariocas como Paulo Sergio Duarte e Ronaldo Brito, foi um desserviço para nossa amplitude. Porque ele disse certa vez, "Deixem os sábios cariocas no lugar que lhes pertencem". Chico Liberato em duas ou três gestões foi mais aberto, nos trouxe Frederico de Moraes, o próprio Paulo Sergio Duarte, tentou trazer a rica experiência do Núcleo de Arte Contemporânea da Paraíba fundada por P. Sergio Duarte, Raul Córdula e Antônio Dias, nos trouxe de Brasília
Rubem Valentim para falar de sua obra em produtivas conferencias no MAM. Produziu a Exposição Cadastro, e algumas mostras que setorizavam conceitos da produção baiana na que considero a mais rica e ilustrativa gestão de um artista que era subsidiado pela inteligência do arquiteto Pasqualino Magnavita, ainda hoje com uma admirável lucidez com seus mais de 80 anos. Mas pergunto, onde foi parar o artista Chico Liberato, fora suas esporádicas animações? Sacrificado em produções cuja potencia pálida pelo distanciamento que produzir arte requer. Gestor de Museu jamais deve cair em mãos de artistas tão pouco Museólogos que são destituídos das noções específicas que lidar com o meio de arte em sua completude requer. A direção de um Museu deve ser exercida por um profissional que tenha em seu currículo experiência acadêmica e vivencial com os problemas da arte, conhecimento de gestão na especificidade que os problemas da arte e produção, fruição, expositividade, interatividade com outros meios, etc. Por isso sou a favor de Comissões Curatoriais como forma de descentralizar decisões nas mãos de um único gestor. Um Museu passa pela idéia de se criar discursos efetivos e articulados em espraiamentos de interlocuções com o resto do Brasil e do mundo. Pensar as especificidades da cidade e agir com pertinência às necessidades comunitárias, abrindo-as para a educação, desenvolvendo novas gerações abertas às complexidades do mundo. Ainda ontem à noite, conversava com Almandrade, pessoa que tem uma produção reflexiva sobre tais questões ao menos do ponto de vista teórico, pensa bem, e é um portador de idéias que devem ser aproveitadas no mínimo como integrante das Comissões Curatoriais que ele também é defensor. Admito um artista na gestão de políticas culturais como um ser complementar a criar e defender idéias que qualifiquem melhor nosso meio de arte, mas nunca delegar a um artista sem o devido aparelhamento as responsabilidades complexas que a gerencia cultural requer.
Vauluizo Bezerra

13 fevereiro, 2011

09 fevereiro, 2011

A Escultura de Antônio Carlos Magalhães por Vauluizo Bezerra

O blog Pura Política cujo link de acesso http://purapolitica.com.br/noticias_view.php?id=1741 veicula notícia sobre algumas observações que fiz no Facebook sobre ter sido contratado por uma empresa da família do ex-Deputado, Governador e Senador Antônio Carlos Magalhães. O Pura Política cita meu blog e percebi que as pessoas têm vindo observar algum conteúdo sobre o assunto. Aproveito a oportunidade para fazer um breve relato desta experiência que no mínimo reflete um desrespeito contra um artista.
Alguns meses após a morte de ACM fui contatado pela empresa de engenharia Santa Helena, grupo do holding da família para tratar de uma escultura do político baiano a ser assentada em sua lápide. Ficou firmado o acordo regido por um contrato que entre suas cláusulas, a parte que descumprisse qualquer dos itens teria como encargo uma multa estipulada no dobro do valor total da escultura.
Fazer um retrato em escultura de alguém que viveu 70 anos, de forte presença pública, implica em certos cuidados cujas pessoas que trataram comigo não tinham o mínimo de particularidade com o assunto. Foi-me delegada a responsabilidade de escolher a idade que me pareceu mais representativa iconograficamente, isto é, entre 55 e 65 anos, idades cujo viço físico caracterizasse o vigor pelo qual ACM sempre foi caracterizado.
A escultura foi feita e, de acordo com uma das clausulas do contrato eu deveria entregar uma copia em gesso para apreciação da família entre eles o Senador ACM Jr. e ACM Neto, mais diretores da empresa, o que foi cumprido por mim dentro dos prazos fixados. A escultura foi aprovada e fiquei no aguardo da sinalização para tirar a cópia definitiva em bronze como regia o contrato. Depois de algum tempo recebi a ansiosa visita de um dos interlocutores da empresa solicitando a cópia em bronze num espaço de dez dias, pois seria comemorado o primeiro ano de morte de ACM. Avisei-o de que seria impossível: primeiro porque na Bahia não há fundição de bronze, segundo porque a natureza processual da técnica exigiria no mínimo um mês. Diante da aflição do emissário sugeri que a única solução seria fazer uma cópia em resina e fibra de vidro com uma pintura que desse a impressão de bronze para efeito da inauguração e, que tal solução deveria ser transitória, pois a tinta não suportaria a ação do tempo, além de frisar que tal cópia era extra contrato cuja produção teria que ter um valor adicional, para depois confeccionarmos a cópia em bronze e eu receber a terceira parte do meu pró-labore, ou seja, meu pagamento considerando que as duas primeiras parcelas viabilizaram apenas a produção física da peça ficando de fora meu trabalho como artista.
Passaram-se alguns meses e cobrei o término do trabalho. Responderam-me da forma mais patética e insensível que se pode tratar um profissional: “Vauluizo, todos gostaram da peça, menos a viúva. Ademais, mudaram-se os planos, resolveram fazer um mausoléu e sua escultura não terá função no novo projeto”. Eu argumentei que existia um contrato que estava sendo lesado, que gostaria de resolver o problema sem uso jurídico, que gostar ou não gostar era uma prerrogativa da viúva e, que não me interessavam seus motivos subjetivos afetivos. Fui repreendido brandamente pela ironia.
Para finalizar, digo que fui contratado para fazer uma escultura em bronze, e que cada peça que um escultor faz, sobretudo um retrato de gestões acadêmicas como é o caso aqui, tem uma implicação que recai na própria natureza dos materiais. Modelei um retrato de ACM para bronze polido, pelas emergências alheias a mim entreguei uma cópia em resina mascarada de bronze que nunca terá a nobreza pela técnica que fui contratado e não pago. A isso chamo de calote, coisa que Antônio Carlos Magalhães jamais teria desferido contra um artista pois sempre foi sensível a estes e, inteligentemente sempre capitalizou no universo da arte e da cultura, muitas das qualidades do político que foi.
Vauluizo Bezerra

16 janeiro, 2011

ALBINO RUBIM NOVO SECRETÁRO DA CULTURA - NÃO VI , NÃO GOSTEI Por Vauluizo Bezerra

Não vi e nem gostei. Vocês ficam na passividade dos votos de boa gestão: “que faça isso, que faça aquilo, faço votos de uma boa gestão, nunca ouvi falar no senhor, mas temos esperança que olhe para nós com atenção ”. Não vai fazer nada. Eminência parda, sem melanina a começar pelo nome. Quando digo que nós artistas plásticos, visuais, "cambiais", midiáticos, ignorantes, não somos articulados, vocês me acusam de apaniguado, e amigo dos "poderosos". Pois bem, defendo os "derrotados". Vocês souberam bater em quem trabalhou muito como Solange Farkas, que nos trouxe coisas que ninguém além dela, no atual panorama, jamais conseguiria trazer à Bahia - aliás, mais um absurdo para a lista de Otávio Mangabeira - vocês praticaram xenofobia com uma baiana de Feira de Santana, mas não tiveram a capacidade de se agrupar em torno de um nome que acreditassem. Vocês lidam com cores, mas são pálidos de idéias, equivocados e passivos politicamente, ficam em silencio diante de quem não conhece, porque não lutam em torno de quem conhecem e acreditam? Porque vocês não entendem nada, e não são mais meninos; aquele discurso de Caetano Veloso no festival da Record que entre tantas coisas diz: "SE VOCES ENTENDEM DE POLÍTICA QUANTO ENTENDEM DE ESTÉTICA, VOCES NÃO ESTÃO COM NADA, NÃO ESTÃO ENTENDENDO NADA"! Isso lhes cabe como um PARANGOLÉ DE OITICICA, que todos vestem como idéia, mas ignoram o que vestem. O Governador não é bobo, engessou a Pasta da Cultura pra não trombar com o lobby pesado dos arcaísmos baiano. Teve muito trabalho com a pasta da Cultura nas tentativas de acertos conceituais, dificultadas na incapacidade administrativa locada na tradição imperial da nossa burocracia. O que foi conquistado nestes quatro anos à custa de muito trabalho e desgaste emocional nos serve de grifo aos esforços vãos, entre erros e acertos empurrados para ralo do lodaçal nebuloso da política. Até um mês atrás, todos tinham “aquilo” roxo, e atiravam pedras indiscriminadamente em Solange Farkas, tudo em nome de um Salão anacrônico e esvaziado. Em realidade vocês defendiam a possibilidade de ganhar 20.000 contos de réis. Muitos dos artistas ficaram insatisfeitos quando Farkas transformou os 20.000 contos de Réis em estadias internacionais mediadas pelo reconhecimento global que ela goza, mas os artistas baianos não querem interlocuções com o mundo, à maneira americana, o Bahian Way Life prima pelo seu Umbigo de Ouro, não está interessado no mundo porque o mundo é aqui, o Axé corrobora, Amy Winehouse sai do Rio/São Paulo, passa por cima da Bahia e mostra os o bicos no Recife, nós ficamos a ver navios, na sede da Cultura baiana, no Porto da Barra, onde de longe avistamos sob o calor dos vapores marinhos a figura desfocada do Sr. Albino Rubim, nada pessoal, tudo cultural.
Vauluizo Bezerra

Alguns pontos sobre Solange Farkas

Leonel Matos argumenta que tem 40 anos de arte, tenho 42, mas isso aqui não é uma competição geriátrica, antes, ao menos penso, é a exposição de visões políticas diferentes sobre as noções de cultura. É preciso deixar claro aos que insistem em não usar óculos mentais que nada aqui tem caráter pessoal. Somos amigos há mais de trinta anos, você sabe como gosto de você e te apoio em suas ações mesmos que inseridas em certa pressa ou metodologias de gambiarra. Isso é uma crítica direta às maneiras de como você faz suas coisas, e você sabe que te digo olho no olho, e que sempre estive junto a você oferecendo minha contribuição para o que você quiser, pois acredito na sua energia de trabalho, no seu poder aglutinador especial e que tem que ser aproveitado. Conheço Solange Farkas há mais tempo que todos os meus amigos, desafetos e colegas de arte. Portanto minha tese aqui postada nada tem a ver com amizade, mas com uma visão de cultura. Solange Farkas cometeu erros sim, mas não os que você aponta. Cometeu erros de cuidados contra os melindres afetivos de artistas ressentidos, e muitas vezes com razão, faltou a ela um cuidado político, coisa que ela confessadamente não faz bem, ao menos na Bahia que possui uma natureza ainda lastreada pelo senso do chamo hoje de “coronelato progressista “. Falar de uma curadora de Feira de Santana que saiu e conquistou o mundo, e, muito antes de tudo isso, de seu envolvimento com o MAM BA, dois anos antes já me confessara ao me mostrar sua casa aqui em Salvador - ”Val, quero dividir o que conquistei, dar meu contributo a meu Estado, ajudar a melhorar no que eu puder aqui...” Mas pelo que vejo, ninguém conhece as conquistas de Solange, sua representatividade, seu trabalho reconhecido mundialmente. Vão ao Google. O que deveria soar como admiração e orgulho de uma conterrânea que fundou o Vídeo Brasil, que produziu uma ópera de Lighetti, que assina curadorias nos mais famosos e exigentes museus do mundo, que edita a VÍDEOBRASIL COLEÇÃO DE AUTORES, trazendo artistas do naipe de William kentridge, Rafael França, Mau Wal, Akram Zaatari; edita os cadernos reflexivos importantíssimos , CADERNOS DO SESC-VÍDEO BRASIL, edita o FESTIVAL DE ARTE ELETRONICA SESC-VÍDEO BRASIl - com inscrições abertas nacionalmente para a sua XVII EDIÇÃO - lembrando que na edição anterior foram premiados pelo menos três artistas baianos que me lembro no momento, a saber, Danilo Barata, Caetano Dias e Ayrson Héraclito, ninguém lembra ou sabe disso, se sabem não citam por omissão maliciosa. É de conhecimento de quem está disposto ao razoável, que vários artistas baianos que empunharam seus projetos sempre foram bem recebidos e agregados a exposições internacionais, algumas delas em exercício no tempo presente, como Gayo Matos, Eneida Assunção etc. Há muito mais que foi feito pelos artistas baianos, estou esperando um dossiê destes beneficiados por qualidade e iniciativa, e não pelo ui,ui, ui como uma canção lamuriante de um reage deslocado. Ninguém lembra, ainda na gestão de Heitor Reis, da maravilhosa MOSTRA PAN AFRICANA DE ARTE CONTEMPORÂNEA sob sua curadoria? E já na sua gestão a francesa ORLAN, presente entre nós, nos fornecendo os subsídios conceituais de sua respeitada obra, a emblemática instalação do nosso saudoso amigo MÁRIO CRAVO NETO, a festejada obra da também francesa SOPHIE CALLE , e sua potencia feminina em CUIDE DE VOCÊ , numa das mais eficientes demonstrações de expositividade museológica por sua montagem e esmero que jamais vimos por aqui? A beleza poética da fotografia de THOMAS FARKAS, a apresentação do cineasta e obra de KENETH ANGER e seu cinema espandido, que sublinhou a ausência de interesse dos artistas locais? O multi-artista PETER GREENWAY, e a imperdível mostra de JOSEPH BEUYS, ora em curso no MAM BAHIA? Estas são atividades que estão na minha memória no momento em que escrevo este texto sem me servir de nenhum auxílio de documentação que perfile tudo que foi feito. Mas podemos ainda acrescentar as mudanças operadas num museu que sofria com um restaurante de gosto duvidoso, com sua caricatura de música afro-baiana para deleite meia dúzia de turistas estrangeiros pouco esclarecidos. O aproveitamento dos espaços deste restaurante na ampliação expositiva do museu, a instalação de uma rede informática, pois o museu foi herdado sem um único computador, ao menos dispunha de um mailing; a aquisição de aparelhos de alta tecnologia, como todo um aparato que nos possibilita ver hoje mostras de teores tecnológicos agregadas a vídeo-arte e instalações que exijam novas mídias, etc.
O remanejamento do acervo histórico para exibição em museus brasileiros e europeus como forma de gerar receita complementar à sua parca programação orçamentária, e os desavisados que ouvem o galo cantar e não sabem onde, ficam alardeando informações tendenciosas, quando não por pura ignorância. A edição do livro do MAM foi conseguida por Solange Farkas através do Banco Safra, mas o museu nem sua diretora pode ou tiveram a mínima intervenção editorial, pois esta era a condição da edição do livro visto que o Banco Safra tem seu próprio desenho editorial, um tanto clássico para o perfil do museu, mas melhor tê-lo com seus erros e deslocado design, que não ter nada. Todo este relato é feito de memória no imediatismo de responder a artistas insatisfeitos com a gestão do museu. São parciais, ignoram quase tudo, além de uma insistente e maliciosa indisposição calcada em interesses políticos e confusão mental.
Fui relacionado por um colega que gosto muito, Leonel matos,afirma ele que defendo Solange Farkas por ser amigo, e pelo oportunismo de fazer uma mostra no museu que ela dirigia. Ora Leonel, isso é de uma descabida idiotia recheada de maledicência, e não quero que isso resvale para nossa amizade tão longa, nada aqui é pessoal. Você argumenta que tem 40 anos de arte, eu tenho 42, e repito, isso aqui não é uma competição geriátrica, ao menos para mim, exponho no MAM meritoriamente desde a gestão de Chico Liberato, expus na gestão de Heitor que fez um excelente trabalho de resgate do Museu de Arte Moderna da Bahia mas que a certa altura perdeu sua capacidade de manutenção por culpa dos humores de Antonio Carlos Magalhães que sabe-se lá por quais motivos drenou o orçamento do MAM. Assistimos Heitor sair melancolicamente depois de uma gestão que tornou o museu mapeado no cenário brasileiro, mas passou, como passou Silvio Robato, Chico Liberato e agora Solange Farkas. Fica o museu, e nós artistas baianos que precisamos de novas maneiras de olhar para nossa terra e para o mundo em sua febril transformação. Amigo Leonel, seu modo intuitivo não alcança a dinâmica que o mundo exige, una-se aos amigos que podem te disponibilizar o que te falta, trabalhemos juntos, mas se livre de afirmações injustas que você nunca foi dado a tais comportamentos, minha recente mostra no MAM foi realizada sob enormes dificuldades, você sabe disso, apresentei um projeto para dois editais, venci um, perdi outro, fiquei na primeira suplência, e para minha sorte, houve uma desistência que me possibilitou realizar meu trabalho. Não precisei de minha amiga Solange para fazer o que tenho feito e reconhecido por muita gente, inclusive você. Tenho uma trajetória, sou independente, não pertenço ao PT ou a nenhuma outra sigla partidária.Sou um artista reconhecido como você, com uma história de trabalho árduo e obsessivo. Você que se queixa tanto, apresentou algum projeto? Foi ver alguma mostra que citei aqui? Viu Tunga, foi ver José Resende no Palacete das Artes? Carlito Carvalhosa, estas são iniciativas curatoriais de Daniel Rangel, competente, baiano como Solange Farkas que o introduziu no circuito e nos deixa como uma benfazeja herança. Quem não gostar vá chorar ao pé do CABÔCO, fica lá no Campo Grande. Asé
Vauluizo Bezerra

15 janeiro, 2011

12 janeiro, 2011

Via Láctea 1995 Acrílico e Fotografia

Correspondência em Resposta a Rener Rama Sôbre o Horizonte Perdido da Arte Contemporânea.

Amigo Rener, O mundo que aí está é o mundo possível, não temos outro, é esse e pronto!! Horizonte sempre haverá, o problema é sob que leis de observação podemos distinguí-lo, eis a tarefa. Estamos distantes da física Newtoniana, banhados ainda pelos relativismos einsteinianos, a física de hoje se emblematiza numa cadeira de rodas agindo com um cérebro e um dedo: Stephen Hawking. Penso a arte de hoje dentro destas analogias com a ciência, tomo aqui o conceito ou existência dos Black Holes, não sabemos de suas leis a partir do que os físicos chamam de Horizonte de Evento. Na arte o horizonte de evento se dá na particularidade de cada artista, são corpos autônomos que necessitam de decifrações especificas em cada olhar que lançamos sobre qualquer artista. É na conjunção destes muitos corpos - daí a necessidade curatorial - que nos fornece o espetáculo de belas constelações e rudimentos que esclarecem a superfície de suas escolhas neste recorte estelar, mas não distinguem o que regem suas fisicalidades, apenas a mecânica de suas escolhas, seus recortes. Baudrillard fala de tal pulverização, da metástase na cultura, na arte, mas a arte continua existir sob a égide do espetáculo, de suas meras aparências, porque é isso o que somos hoje, unidades anônimas reconhecíveis pelo conjunto, daí uma ou outra estrela ganha nome, e passa ao reconhecimento mapeado, eis o mundo que tantos estrilam e que me causa estranhamento, mas me diverte, mesmo não sendo classificado num mapa não deixo de me sentir artista, e como pertenço a uma geração dinossáurica que não possui a chamada "inteligência emocional", ainda assim prevalece o logos: penso, pinto, desenho, fotografo, filmo, logo existo. Eu adoro esta época, celebro-a como você sugere! Num texto recente eu disse a propósito da reação de Arnaldo Jabor sobre a Bienal de São Paulo - veja integral no meu blog, http://vauluizobezerra.blogspot.com/ , mais ou menos isso:" minha vocação dinossáurica num tempo em que realmente o artista se tornou a obra, isso não é pra gente velha como Jabor, nem eu que sou mais novo mas entalado entre duas noções, por isso digo, not so wrong, not so right, me resta o alento de saber que em tempos escuros se formou gente como Caravaggio que não gosto, mas também Rembrandt, eu quero ser Rembrandt quando crescer, há uma luz naquelas sombras, mas há também em Olafur Eliasson, not so wrong, not so right. On the Wall. "
É isso, nosso mundo é babélico, mas adoro essa confusão, tanta coisa a fazer, decifrar, brincar, brincar. Abração VB.2011

06 janeiro, 2011

Triptico Acrilica s/tela 0.70X2.10 2008

A crítica é um conjunto de parâmetros interdisciplinares que busca noções para um sentido e uma razão de lugar definidor das ações produtivas. Ela tem uma função reflexiva que passa por muitos eixos variáveis que norteiam suas dinâmicas diretivas.

A crítica por origem e definição é uma ramificação do pensamento filosófico. Seus modos de operar atendem à dinâmica de um humanismo centrado no século dezenove. No modernismo ela atende sob uma crise anunciada, ainda assim se faz pertinente por se tratar de uma época que celebrava a liberdade produtiva da arte circunscrita a sensos ideológicos. Os ismos de toda a modernidade são geografias reconhecíveis a preceitos de ideários que em certa medida são imanências subjacentes aos recortes de pensamentos ligados a gestões filosóficas ou ideológicas.
Nestes últimos vinte anos percebemos a pulverização das ideologias. Desde os anos sessenta se decreta a morte do humanismo. As técnicas de reprodução, a democratização das viagens, o dramático fluxo da evolução das comunicações são frutos da ciência e tecnologia. Estes aspectos produziram um ruidoso deslocamento nas funções da arte. Os trânsitos de idéias e modos de operar não obedecem a nenhum centro gravitacional. A falência das ideologias coloca o artista como centro dele próprio o que o torna impermeável às noções de critica a qual estávamos habituados. Neste sentido, a presença do curador responde a uma nova noção administrativa: a espetacularidade é a única forma oferecer um sentido à arte que se expandiu em significados particularizados.
A crítica perdeu seu tradicional corporativismo. O que ela precisa é readquirir seu amor próprio e se adaptar à sua nova condição de coadjuvância. O mundo mudou e não foi a arte nem a critica que promoveu tais mudanças. Há aqui uma inevitabilidade do fluxo contemporâneo. Nas sociedades capitalistas em que os padrões de consumo instam a existência das pessoas, a arte também está subordinada às super- estruturas que movem este mundo em que a espetacularidade é uma condição para alguns indesejável, mas a presença da critica pode dar a distinção de verdades menos enganosas. VB.2010

23 dezembro, 2010

Arnaldo Jabor Bienal de São Paulo Not so wrong, Not so right vauluizo Bezerra

ARNALDO JABOR - O Estado de S.Paulo- Bienal SP
Ao apagar das luzes, fui ver a Bienal. Quase não escrevo sobre ela, mas não aguentei, apesar de não ser crítico de arte. A sensação dominante que tive foi de ruínas ou de despejos da civilização. Saí triste. Os trabalhos repetem os mesmos códigos e repertórios: terra arrasada, materiais brutos e sujos, desarmonia, assimetria, uma vergonha de ser "arte", vergonha de provocar sentimentos de prazer. A fruição poética é impedida, como se o prazer fosse uma coisa reacionária, "alienada", ignorando o "mal do mundo", que tem de ser esfregado na cara do espectador para que ele não esqueça o horror que nos assola.

Há um propósito de evitar qualquer transcendência artística. Um crítico escreveu: "O paradigma romântico foi desmantelado no século 20, porque apresenta a arte como algo universal, acima da realidade social e política."
Ou seja, a razão maior da arte, que é justamente esse mistério que aponta para "as coisas vagas" (como escreveu Paul Valéry) sem as quais não há reflexão poética ou filosófica, foi jogada fora, em nome de uma racionalização criada para substituir nossa impotência política real.
Fui andando pelo pavilhão maravilhoso do Niemeyer, pensando que o edifício "modernista" era superior a qualquer panfletinho ali exposto.
Pensei que o império da sordidez mercantil, a ignorância no poder, o fanatismo do terror, a boçalidade cultural, toda a tempestade de bosta que nos ronda está muito além do alcance crítico de qualquer "denúncia" artística. Não adianta mais "chocar" ou "conscientizar" ninguém. Nada que haja na Bienal nos choca mais que homens-bomba explodindo discotecas ou a fome na África ou a lama das favelas e periferias. Nada. Os gestos enraivecidos da antiarte nem arranham a pele do mundo. Nesta Bienal vi um parque temático de deprimidos, um muro de lamentações inúteis - a melancolia como "denúncia" de uma vida sem solução, quando a grande crítica ao Ocidente é feita pelos terroristas islâmicos. A infeliz sentença de Stockhausen chamando o 11 de Setembro de "obra de arte" tem, sim, um bruto fundo de verdade. Nada pode explicar ou evitar aquele horror. Nunca imaginávamos que o século 21 seria parecido com o século 7.º, quando Maomé se declarou o único profeta.
Intelectuais e artistas vivem em pânico, pois o tempo de sínteses se extinguiu. Os acontecimentos estão incompreensíveis e, no entanto, óbvios demais. Claro que os artistas contemporâneos não podem ignorar o horror do mundo e têm de acusar o golpe. Sim, mas mesmo em tempos terríveis, há que se buscar alguma transcendência, esperança e vitalidade.
Tropeçando em perigosas "instalações", pensei que a morte da "aura" da arte é menos aceita do que pensávamos. Hoje, muitos artistas se veem como ex-profetas abandonados e passaram a usar a luz da "aura" como um halo, como uma coroa de espinhos para sua solidão. O artista quer virar obra de arte. E tudo faz para esquecer seu abandono, mesmo que seja expor seus excrementos numa latinha. E vemos que ele não abriu mão da representação, mas cultiva-a ao avesso da beleza, como uma doença favorita. Ele é a representação, ele é a paisagem.
Acho que nesta desistência da arte transcendental há um complexo de inferioridade diante da tecnociência, que está avassalando nossas vidas. Nietzsche não concordaria: "A arte é mais poderosa que a Ciência, pois ela quer a vida, enquanto o objetivo final do conhecimento é o aniquilamento." Nietzsche escreveu isso no fim do século passado, querendo dizer que, por trás da busca científica e racional da verdade, mora o desejo da morte, de esgotamento da vida, por uma letal explicação de tudo.
Claro que não tenho nível para aprofundar este tema; mas temos hoje esta metástase digital hipertecnológica ao lado de um indigente, tuberculoso, desempenho artístico do mundo. Temos de um lado o mercantilismo escroto de Hollywood, dos teatrões, das galerias chiques ou dos best-sellers. Do outro, a solidão melancólica das Documentas, os bodões negros dos guetos da revolta "oficial".
Sem dúvida, a grandeza da arte contemporânea é de se misturar à vida, sem suporte, mas sem negá-la de fora, atacando-a com rancor por sua falta de sentido claro. Nisso, o WikiLeaks mata a pau.
Movidos pela ideia socrática de que a arte tem de ser subordinada à Razão, os artistas caíram numa denúncia melancólica das impossibilidades. Não há futuro para esta ideia de arte, seja ela digital, mercantil, iluminista ou o cacete a quatro. A celebração dionisíaca do existir não pode ser considerada frescura ou alienação.
Prevaleceu a vertente "triste" do modernismo, a vertente "conceitual" que joga sobre o "mal do mundo" apenas uma ideologia nevoenta de condenações sem nome, apenas uma arte enojada contra o mal-estar da civilização.
Por que a melancolia seria mais profunda que a alegria? Como explicar Fred Astaire, Busby Berkeley, Cantando na Chuva, a arte pop, o jazz? Depois do pop, será que uma "aids conceitual" não atacou tudo, depauperando a luta? Será que não se esgotou a denúncia do feio pelo "mais feio", que odeia a vida real, por adesão a um impossível finalismo? O "novo" não poderia ser um "belo" que denuncia, com sua luz, a injusta vida?
Precisamos de arte, como uvas e frutos e danças e como um coro de Silenos, de Dionísios, pois a ciência e a razão estão querendo chegar até os ossos da "essência". A arte é a ilusão aceita, a clareza feliz de que a aparência é o lugar do humano e que só nos resta essa hipótese de felicidade num planeta gelado. Não a arte-espetáculo, mercadoria de ver, mas a arte como ritual de embelezamento da vida. Nietzsche: "A ilusão é a essência em que o homem se criou."
Lembrei-me então de uma frase de Stravinski: "A obra de arte deve ser exaltante." E uma de Artaud: "A arte não é a imitação da vida; a vida é que é a imitação de "algo" transcendental com que a arte nos põe em contato." Por isso, não gostei da Bienal.

Not so wrong, not so right. Apenas meros espasmos de tecidos mortos? Curioso notar, o autor não cita um único pensador desta época, suas modulações são todas regidas por novecentistas transcendentais que em alguma medida nos levaram a nosso estado presente, de toda sorte sinto um reclame sincero, uma maneira legítima de segurar seu mundo que ele vê desabado. Stockhausen constatou corretamente, nossa espetacularidade é espetacular, diria Millor, é nossa forma de fazer cultura falando do mundo nosso de cada dia, vestidos como chineses de Mao com brin azul, economia socialista e senso mental capitalista, e vice versa, a ocasião faz o ladrão de nós mesmos, daí a melancolia, a febre, a metástase cultural, a biologia uniformiza seus fenômenos reativos, a vida é assim, duas cabeças tendem a um cérebro, eu disse isso num trabalho anônimo que jazz em alguma coleção periférica, minha vocação dinossáurica num tempo em que realmente o artista se tornou a obra, isso não é pra gente velha como Jabor, nem eu que sou mais novo mas entalado entre duas noções, por isso digo, not so wrong, not so right, me resta o alento de saber que em tempos escuros se formou gente como Caravaggio que não gosto, mas também Rembrandt, eu quero ser Rembrandt quando crescer, há uma luz naquelas sombras, mas há também em Olafur Eliasson, not so wrong, not so right. On the Wall. Val

22 novembro, 2010

O Artista Baiano e Sua Indigência Cultural



Produzir arte para mim implica em revertir-se, contaminar-se de reflexões que busquem responder através  das diversas categorias de conhecimento. Com o mundo globalizado, as noções de cultura engendram outro tipo de relação pautada na complexidade que o mundo nos emite na forma de seus trânsitos multiculturais, na diversidade dos muitos fluxos relacionais a que estamos submetidos. Há no mínimo uma confrontação de significados que paira no ar mesmo se falamos de coordenadas bem específicas como as da Bahia.
Ocorre que a grande e estarrecedora maioria dos artistas estão preocupados com politícas culturais, gestões administrativas, partidarismos aclamados e criticados com base numa forma de pensamento e discursos anacrônicos e construídos sob a égide de um primarismo que chega a me exasperar. A única coisa tangível que se enxerga é uma paixão modelada por uma ignorância que começa no assassinato contínuo da língua, e emissões de um pensamento de tal primarismo que sinto vergonha do que tenho lido. Os artistas baianos estão nus, e são solitários precisamente pela nudez que implica o nível de seus conhecimentos, a forma como tratam cultura e se arvoram a querer mudá-la sem antes fazer um exame lúcido de suas limitações. Ficam pendurados e dependentes  no opium do FACEBOOK por suas carências de representatividade, e só conseguem encontrar culpas e imperfeições no outro, ou outros. Há um mundo a ser explorado, uma árdua e dífícil tarefa que passa pelo indispensável exercício de aquisições de saber. Quixotes movidos a intuições perdidas no tempo e nos espaços de sua doentia ignorância eivada pela vaidade insistente que ser artista é apenas produzir imagens inócuas baseadas em seus desejos básicos de existir. A disseminação da idéia de que há culpas em todos os lugares, mas nenhum movimento que caracterize um exame de consciência de como cada um tem operado:  a pergunta diante do espelho, que merda sou eu, que merda tenho feito? Que pertinência meus choros e quixumes pode representar como contributo para aquilo que desejo? Nennhum, nenhuma. O artista baiano é uma piada de mau gosto, e aqueles que se elevam acima das generalidades foscas, são acusados de apaniguados, ou mafiosos. Puta que o pariu, vão estudar cambada de ociosos mentais, depois venham fazer política,  reinvindicar algo que seja preciso, voces não consomem um parágrafo de história da arte por semana e querem fazer história, jamais farão desta formaa, serão esquecidos ao apagar de cada sessão no Facebook.


15 novembro, 2010

14 novembro, 2010

03 outubro, 2010

EXPOSIÇÃO TRAJETOS  VAULUIZO BEZERRA
MUSEU  DE  ARTE  MODERNA  DA  BAHIA  18  DE  OUTUBRO

27 setembro, 2010


Eu lido com a arte e sua história. Há um campo gravitacional que me atrai a seus múltiplos significados, procuro usá-los não para dá-los novos sentidos, mas para estender minha compreensão dos novos sentidos que temos no mundo atual. Aqui nos defrontamos com um problema que acomete a arte contemporânea e é possível que esteja aí base de sua crise. Aliás, é difícil pensar a arte de hoje sem o componente de crise. Gosto parcialmente de uma idéia de George Steinner, que estabelece a distinção entre criação e invenção. A idéia não é simples, e toma como base a presença da obra de Marcel Duchamp. Mas antes, ele associa a idéia de criação ao divino; com a presença de Duchamp ocorre a dessacralização da arte que passa a ser operada como invenção, distante da historicidade, da magia, do talento, do autoral. O próprio Duchamp chamou a atenção para certos comedimentos que um artista deveria ter ao usar, por exemplo, o recurso do Ready Made. Penso que ele intuía o caos que a própria invenção poderia resultar. O mundo se tornou demasiadamente complexo, e extremamente visual, não sei se ele precisa de novos sentidos, ou como é usual dizer, ressemantizações. Parece paradoxal, sou um artista com a reputação de contemporâneo, no entanto refuto certos métodos que para mim desumanizam a arte, ou a torna vítima de ansiedades dos próprios artistas e todo o staff em que ela é hoje articulada como objeto de consumo. Mas é preciso afirmar que não desprezo nenhum método, minha implicação diz respeito a certa “academização” que a arte contemporânea empunha.

21 setembro, 2010

Nipon, 2010 aquarela e colagem s/ papél.
Obras esparsas, 2009 Aquarela s/ papél s/ cartão.

18 setembro, 2010

Caros amigos, estamos em fase de construção do blog.  Esperem, e mais conteudos serão adicionados no decorrer da semana.
 
 Andando Parado, 2008. Grafite sobe tela